2. *Jyotisa* simplificado
# *Jyotisa* **simplificado**
A Astrologia se manifestou na visão interna dos antigos sábios e Rishis da Índia. Esses iogues e seres iluminados estavam aptos a ver além do reino dos nomes e das formas. Eles podiam sentir e expressar a sutil realidade que existe por trás do fenômeno cósmico. Dessa forma, percebiam os poderes primitivos da inteligência cósmica nos planetas e estrelas (o macrocosmo) e veneravam os poderes cósmicos dentro de si mesmos (o microcosmo) como poderes de seu ser.
Concentrando-se intensamente no Sol e outros planetas, eles entenderam o movimento da força vital em seus corpos; e pela meditação na força vital, eles também vieram a entender o movimento do Sol e planetas no céu. Através desta técnica chamada samyama, eles podiam decifrar os segredos do Universo. Eles trouxeram seu entendimento para dentro de um sistema da ciência Védica, o qual se tornou conhecido como Jyotisa: a ciência da luz. Parasara foi um desses sábios. Ele é conhecido por ser o pai da Jyotisa. Ele escreveu a composição literária Brhat Parasara Hora Sastra, no qual sistematicamente se explica a teoria da astrologia de previ-

sões. De acordo com a história, ele é o neto de Vasista e também pai do Veda Vyasa, que escreveu o épico Mahabharata. A profundidade do seu conhecimento astrológico era tão grande que uma noite enquanto cruzava o rio num bote, ele casualmente olhou para suas estrelas favoritas no céu e de repente percebeu que era um momento excepcionalmente afortunado. Ele concluiu que se uma criança fosse concebida naquele momento, ela seria uma expert nas escrituras. Então ele contou isso para a senhora que remava o bote e pediu que ela se casasse com ele. Ela concordou e o filho que nasceu desta união espiritual foi Veda Vyasa!
Pela observação do movimento dos corpos celestiais através do tempo e espaço, a ciência da Astrologia Védica pode ser aplicada a cada encarnação humana para encorajar a alma a desenvolver seu mais completo potencial.
Nas próprias palavras de Paramahamsa Nithyananda:
'No momento em que a consciência entra no corpo, na hora do nascimento, o nível de energia do cosmos é impresso na consciência. Seu espaço interior ganha a impressão do nível de energia cósmica e da posição dos nove maiores centros de energia do sistema solar.
Os planetas astrológicos não são somente astronômicos, eles são energias. Uma energia particular de puxa e empurra existe entre eles. As diferentes posições de energia claramente decidem o nível de energia cósmica durante o nascimento. Com base nisto, Jyotisa estará apto a prever o curso da vida. Entenda, não prevê os incidentes exatos, porque você tem liberdade. Você tem liberdade de decidir se você senta aqui ou não; lê isso ou não.
O curso maior da vida – se você irá se iluminar ou não – pode ser previsto. Princípios podem ser previstos, não políticas! Ter uma ideia sobre seu horóscopo lhe dará inteligência e aceitação para suportar coisas inevitáveis. De acordo com o que eu acredito, um buscador deve ter um conhecimento básico sobre seu horóscopo'.
Jyotisa e o Viver a Iluminação
Jyotisa pode lhe ajudar a ler seu destino. Mas o que é, na verdade, destino?
Há 2 tipos de destinos:
O primeiro destino é definido pelo dicionário como: destino vivido dentro dos limites do ego, com suas próprias expectativas, esperanças, desejos, sucessos e fracassos. Ele está constantemente mudando. Porque ele evolui sob as leis da mente, é mecânico, acidental e incidental. Esse 'destino' é vivido na dimensão da mente, portanto não tem existência na realidade em si. Não é nada mais que uma reprodução do passado no presente, o que restringe o futuro de uma maneira mecânica.
O outro destino é existencial e supremo; é o florescer da consciência para a iluminação. Entenda: a única coisa predestinada no plano da vida é que aquele homem é destinado a evoluir para a iluminação. O resto é apenas acidental, acontece por nenhuma outra razão a não ser ensinar e moldar o ser em direção à busca pela iluminação. Viver a iluminação não é nada mais que fazer escolhas conscientes, livre do 'pra lá e pra cá' inconsciente dos samskaras.
Quanto mais longe você perambular do seu centro, mais você irá se perder na sua periferia, e mais você será sujeitado a incidentes e acidentes. Enquanto que, se você vive a iluminação, você está centrado, você está dentro de seus limites, você está atento. Você se torna predestinado, porque sua predestinação é alcançar a iluminação; seu destino é se tornar mais e mais atento. Então, você se torna um agente do seu destino, e se move além das influências dos grahas. É assim que você expira o seu karma.
Para que isso aconteça, um simples entendimento das forças que trabalham em você pode ajudar a clareza a se manifestar na sua rotina diária. Em adição a isto, você pode seguir alguns procedimentos para manter seu corpo saudável com a ciência da Ayurveda e aumentar seu nível de energia com yoga, uso de pedras, sementes de rudraksha, cantos de mantras e um conhecimento básico das suas tendências psicológicas alinhadas com a antiga sabedoria védica expressada por grandes mestres iluminados.
Todos esses remédios trarão lucidez sobre a sua configuração mental e o auxiliarão a, eventualmente, derrubar seus condicionamentos, desapegando sua mente e emoções e nutrindo sua inteligência e energia para Viver a Iluminação.

Entendendo Grahas e Nakshatras
Grahas são centros de energia, campos de energia que os planetas manifestam no universo. Cada um dos nove principais grahas na astrologia Védica tem um campo de energia específica que cria efeitos específicos no nosso planeta Terra. Por exemplo, a lua tem um forte impacto no mar e no crescimento das plantas; influencia até mesmo a mente dos seres humanos. Do mesmo jeito, os maiores centros de energia produzem um efeito na vida dos seres humanos e influencia seus potenciais no nascimento, suas configurações mentais e por essa razão o curso do seu destino. Em Jyotisa, os grahas são geralmente referidos como os agentes do karma para o qual a alma nasceu. A personalidade e vida humana têm contrapartes na estrutura da fisiologia cósmica, representada pelos grahas e nakshatras.
Há nove grahas (nove influências ou 'planetas´) no nosso sistema solar: o Sol (Surya), a Lua (Candra), Marte (Mangala), Mercúrio (Budha), Júpiter (Guru), Vênus (Sukra), Saturno (Sani) e dois nódulos chamados Rahu (nódulo lunar ascendente) e Ketu (nódulo lunar descendente). Eles representam arquétipos. Surya, por exemplo, representa consciência; Candra representa a mente cósmica; Budha representa o intelecto cósmico, etc.
A maioria dos calendários do mundo foram calculados pelos movimentos do Sol e da Lua (mensurando os dias, meses e anos) e foram de grande importância para a agricultura, porque a colheita depende do plantio na época certa do ano. Mas a tradição védica usa um sistema de 27 nakshatras para calcular os meses. O nakshatra é a constelação na qual a lua está no céu em determinado período. Em cada mês, a lua cheia está em uma determinada constelação, e terá o nome deste nakshatra.
Cada nakshatra cai sob a regra de um, às vezes dois grahas. Para cada graha é designado três nakshatras. Por exemplo, se a criança nasceu quando a lua estava em Asvini Nakshatra, sua estrela de nascimento será Asvini e seu signo será Áries (chamado mesa em Sânscrito), regido pelo planeta Marte (Mangala). Bharani e Krittika, os dois próximos nakshatras, também caem sob o domínio do signo de Áries. Todos os três, portanto, terão características parecidas e influenciarão a mente e a consciência das crianças no momento do nascimento, moldando seus destinos.
Se o Sol é a sua estrela

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'Eu venero o Sol que tem o brilho de uma flor vermelha de hibisco, que tem o poder da percepção, do grande esplendor, o dissipador das trevas, aquele que destrói todos os pecados, o criador do dia' - Veda Vyasa
Dinâmica: Como compreendemos a nós mesmos, como irradiamos
Palavras-chave: Nobreza, individualidade, gene-
rosidade, poder, autoridade, liderança, ego, autocentralidade.
Signos: Leão
Cor: Laranja avermelhado, ouro
Gênero: Masculino
Chakra: Manipuraka e Sahasrara
Temperamento: Sattva (puro)
Deidade governante: Senhor Shiva
Sol nas escrituras védicas
De acordo com a mitologia védica, Surya (Sol) casou-se com Sakhya (consciência) e teve três crianças – Vaivasvata Manu, Yama

e Yamuna. Sakhya amava seu marido, mas sua luz era forte demais para seus olhos e assim quando seu marido vinha perto dela, ela fechava seus olhos. Isso irritou o Sol que pensou que sua esposa não gostava dele.
Um dia, Sakhya decidiu ir embora de casa, deixando em seu lugar a cópia de seu corpo, Chaya (sombra). Por algum tempo, Sakhya viveu com seu pai e então escondida na forma de uma égua, ela foi para as montanhas rezar. Num primeiro momento o Sol não percebeu que a pessoa vivendo com ele como sua esposa não era Sakhya e sim Chaya.
Quando ele percebeu, ele foi procurar por sua esposa. Ele a viu rezando na forma de uma égua e transformou-se em um cavalo e aproximou-se dela.
Sakhya contou a ele que sua radiação era muito forte para ela. Então, o Sol decidiu dividir sua luz em dezesseis partes – as dezesseis partes diferentes da luz do sol criaram a Terra e os outros planetas, enquanto o Sol ficou uma das dezesseis partes da sua luz original. Sakhya voltou a viver com o Sol e deu à luz aos gêmeos, Asvini Kumaras.
Enquanto Sakhya esteve fora, o Sol teve outras crianças com sua esposa dupla Chaya. Um de seus filhos era Saturno, que também encontrou um lugar entre os planetas.
Vaivasvata Manu, o primogênito do Sol é também o primeiro homem e pessoa que salvaria as formas de vida no topo da montanha de verão durante as inundações primordiais.
Yama, segundo filho do Sol, é o Senhor da Morte, sua filha Yamuna é o rio sagrado e Asvini kumaras são o curadores dos deuses.